Relato do parto da Andrea – Nascimento do Heitor

agosto 321-001

agosto 074Eu não esperava, que numa manhã pós Natal de 2012, onde o sol se pôs em forma de coração visto pela porta da cozinha de casa eu descobriria que o amor novamente brotava em meu ventre. E desta vez ultrapassaria ao amor materno, paterno e difundiria entre o amor de irmãos, ao amor fraterno se duplicando, somando, aumentando; foi assim com esse pensamento que me olhei no espelho quando segurei o resultado de minha segunda gravidez.

Lembro direitinho de minha risada para o espelho, meu olhar. Eu ali, sozinha; não mais, mas só eu sabia!

Fui até a sala onde estava a irmã e o pai, perguntei se ele estava preparado para se pai de novo ele me olhou e falei: Vai dar uma olhada no banheiro.

Tudo mudou, nossos olhares, nosso olhar, nosso amor começou a crescer, a multiplicar novamente mas diferente.

Pensava, pensei e ainda penso muito na Alice, muito mesmo. Ela mal havia completado 02 anos, mamava e era a única.

Mas o amor não se dividiria, SOMARIA e com esta certeza fui me empoderando e me preparando para a vinda do Heitor.

Seu parto, eu já sabia desde o nascimento de sua irmã. Seria em casa, com parteira!

Planejamos, estudamos, doulei uma amiga na maternidade municipal, lemos, assistimos vídeos e li muitos relatos de partos domiciliares pela internet; nos preparamos para o grande dia. Que demorou aproximadamente 40 semanas e 05 dias. ( em meus cálculos, pq nos cálculos do médico estava com 01 semana a mais), mas para mim o que importava era o tempo dele, do meu bebê.

DIA 31/08/2013 sexta -feira de lua minguante as 11h tive consulta e estava com 3 de dilatação. Ufa, ia ser neste final de semana. Não via a hora, estava cansada, me sentindo pressionada pelo médico, não queria ter que “fugir” dele no último momento, até porque ele sempre me apoiou ( mesmo adiantando 01 semana de uma hora para outra nos finalmente).

Liguei para a minha mãe e avisei que o bebê nasceria esta noite, e conforme combinamos ela ficaria com a pequena em um hotel. Lá fui correr atrás de um hotel, que estavam todos lotados, pois foi semana de FILO com atrações musicais e a cidade lotou. Mas no final do dia, perto das 17h achei.

Busquei a Alice na escola, passei no sacolão e comecei a sentir muitas contrações, já estava muito louca, não fala nada com nada, enchi o carrinho com maçãzinhas pequeninas, ficava rebolando e abaixando para aliviar as contrações.

Chegando em casa fui dar janta para a Alice, minha mãe ainda não havia chego, a pequena estava a mil, com certeza já sabia o que estava acontecendo, não quis ficar falando muito para não deixa-la ansiosa, ela queria colo, queria brincar e eu inventei a brincadeira da dancinha. Toda vez que sentia um contração bem forte dava um gemidinho e nos duas tínhamos que dançar até o chão. Foi assim que aliviava minhas contrações com ela junto.

O Luis percebeu sua agitação e resolveu dar uma volta com ela, foram assistir a um espetáculo de rua e eu aproveitei para arrumar sua malinha e tomar um banho relaxante, quente, com óleos, massagens e bola ( levei a bola para o banheiro)

Fiquei lá mais ou menos uma hora. ( meu erro foi ficar com a porta fechada) quando sai, minha pressão abaixo totalmente, eu sozinha em casa fiquei desesperada, liguei para todo mundo, coloquei os pés para cima com um punhado de sal na boca e fui me acalmando. O Luis chegou, logo em seguida minha mãe, já era umas 21h.

agosto 304Depois que a Alice saiu de casa acendemos velas, aromatizadores, musicas, esteira de massagem, preparamos o ambiente , arrumamos a mesa de café, era uma festa, foi uma festa. As contrações começaram a regularizar, as parteiras ligam avisando que estavam a caminho, a doulinda chegou e logo em seguida a enfermeira veio dar uma “olhadinha” em mim. Fez um toque e estava com 07, ele logo logo estaria aqui com a gente, e pensei. Mas, e as parteiras, ainda estavam em Maringá.

Prepararam a banheira para eu dar uma relaxada e atrasar um pouco o parto, escutei a Marilia pedir para o Luis um fio dental, caso o bebê nascesse antes delas chegarem. Eu estava tranquila, sabia o que estava acontecendo com meu corpo, confiante nele e com ele. Já eram umas 11h.

Sentei na banheira e fiquei algum tempo me conectando com o bebê, despedindo da barriga, acariciando, respirando, sentindo todo aquele universo em mim. Sei que estava preparada, sentia cada vez mais próximo o momento de segurar meu filho em meus braços. Isso me enchia de força, de prazer, de vontade.

agosto 315-001Não lembro das parteiras chegando. Lembro de querer dançar, me mexer, dancei muito. Sentia um desejo enorme pelo meu marido, namorei, beije e todas as vezes que ele chegava perto eu fica louca, acho que era ocitocina.

Quando começou

Meu corpo sabia o que estava acontecendo e foi tudo muito louco, me lembro de pensar nos textos que li, sabia onde estava, que estava na Partolândia, comecei a procurar um lugarzinho, um cantinho. Lembrei como os animais procuram seus ninhos, me pendurei no armário e pensei : O pico da montanha esta chegando, só mais um pouquinho. Dito e feito, entrei na banheira, percebi que não era o lugar, até porque eu queria “no seco” fui no cantinho mais cantinho, escurinho, apertadinho que as parteiras falavam: vem pra cá … eu urrava NÃO, e lá começou o puxos finais …

Primeiro veio a cabecinha, toquei seus cabelinhos, seu rostinho e tive um ataque de riso misturado com choro de alegria, ele estava vindo, ele já estava aqui, meu coração se enche de alegria so de lembrar aquele momento, aqui em casa, neste mesmo canto onde estou escrevendo este relato. <3 E depois gritei: – vem meu filho, meu amor e ele veio; veio para meus braços, minha pele, meu peito, minha boca.

Foi uma mistura de loucura e lucidez. O cheiro dele, o nosso, o da casa, foi tudo lindo!

agosto 321-001Ele nasceu sem chorar, igual sua irmã.

Eu sabia que estava tudo bem … ele nasceu coradinho, lindo, cabecinha redondinha. Perfeito!!

Mas eu não estava sozinha. Para acalmar a “galera” eu comecei a sugar suas narinas, ai ele chorou ne! … ficou no meu colo, me olhando, eu olhando para ele até a placenta sair.

Ele foi para o colo do pai, colocou a mão em seu rosto, num gesto carinhoso de : oi papai. ( eu não vi, queria, mas fiquei sabendo)

agosto 326-001Brindamos, comemos, rimos, dormimos juntinhos … como tem que ser. Como é até hoje! Lógico que os irmão se pegam as vezes, mas, como diz a pequena: “Foi de amor mamãe”.

Ah, o meu garotão nasceu com 3.990 kg // 56 cm de muita gostosura!

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  • Andrea, que ma-ravi-lho-so. Foi como se estivesse acompanhando tudo ao vivo, da forma como descreveu.
    Sentir o universo em si… sentir a chegada.. o cheiro… o contato…
    Lindo, lindo, lindo!
    Obrigada por partilhar <3
    Muitas bênçãos e felicidades a sua família já tão iluminada.

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